Em muitos projetos de transformação digital, já ouvi uma frase se repetir várias vezes: “O sistema não funciona”. Então, trocam o sistema, compram outro, ou desenvolvem novas soluções. Mas, pouco tempo depois, o resultado é o mesmo: o sistema continua não funcionando.
Na maioria dos casos, a realidade é que o problema não está na tecnologia, e sim nos processos que a cercam. Processos que não foram bem compreendidos, que não estão alinhados entre as áreas ou que simplesmente não são seguidos, muitas vezes por causa da cultura e da forma como as pessoas trabalham no dia a dia.
Antes de pensar em automatizar ou desenvolver um novo sistema, existe um passo que não pode ser ignorado: mapear e redesenhar os processos. Entender as jornadas reais das pessoas que usam o sistema, os gargalos, as exceções, as tarefas duplicadas, as decisões que ainda dependem processos manuais ou mensagens de WhatsApp. Tudo isso é essencial para que a tecnologia realmente funcione.
Quando os processos estão claros, comunicados e internalizados pelas equipes, a tecnologia encontra seu espaço natural. Às vezes, o sistema que já existe é suficiente — só precisa ser configurado corretamente ou integrado de outra forma. Em outros casos, é necessário adotar uma nova ferramenta ou desenvolver uma solução sob medida. Mas em ambos os cenários, o trabalho se torna mais simples, rápido e assertivo, porque a tecnologia se adapta ao processo, e não o contrário.
Automatizar sem repensar processos é como pavimentar um caminho que leva ao lugar errado. Por isso, todo projeto bem-sucedido de transformação digital começa muito antes de escrever uma linha de código: começa com uma boa conversa sobre como trabalhamos hoje — e como queremos trabalhar amanhã.